dci-sp franquia de alimentação saudável

Alimentação saudável vira opção de negócio

Postado em 10/07/2014 as 15:15


DCI – Legislação – 10/07/2014

SÃO PAULO

A busca pela mudança de hábitos entre os brasileiros, fruto dos altos índices de obesidade que atingem níveis históricos no mundo todo, tem impulsionado o mercado de alimentação saudável. Surgem várias redes de olho nessa demanda e o segmento de franquias comemora bons negócios, tanto que o setor passou a ser uma opção de investimento no País, aponta a diretora da consultoria Vecchi Ancona, Ana Vecchi.

Ela acredita que esse seja um caminho sem volta, uma vez que a categoria também está relacionada ao bem-estar da população. “Esse é um conceito consolidado e que tem um potencial de crescimento enorme no Brasil”, relatou. Segundo Ana, o mercado ganhou destaque a partir dos questionamentos feitos por grandes redes de comida rápida (fast-food), como a norte-americana McDonald’s. Está reposicionou-se após ser questionada sobre sua responsabilidade em relação aos altos níveis de obesidade nos EUA. “Eles foram os primeiros a investir em maçãs e saladas em seus cardápios. O fast-food, porém, está tão consolidado que ninguém vai aos restaurantes da rede para comer salada”, afirma Ana.

Ainda de acordo com a diretora da consultoria, apesar desse ser um nicho interessante para empreendedores que querem investir na área, os altos preços têm inviabilizado o crescimento da categoria em algumas regiões. “No Nordeste, por exemplo, existe um grande problema de precificação. Muitos não estão dispostos a pagar mais caro na salada do que no arroz e feijão”, ressaltou.

Investimento internacional

Entre as marcas que estão investindo no mercado estão empresas como as brasileiras Seletti e Let’s Wok, além da norte-americana Salad Creations. Esta última conta com mais de 22 unidades no Brasil e com mais de 40 opções de saladas no cardápio. A expectativa é fechar o ano de 2015 com pelo menos 50 lojas, contou ao DCI a gerente-geral da empresa, Ana Maura Wener. “Acreditamos no potencial mundial do negócio, já que muitas doenças são frutos de uma má alimentação. No Brasil não seria diferente e temos visto grande evolução no seguimento com campanhas governamentais, além de grande oferta no varejo”, comentou.

Registrando crescimento de 35% no ano passado, a Salad Creations deve manter o mesmo crescimento em 2014, diante de um ramo ainda pouco explorado. “O seguimento de alimentação saudável ainda não está completamente estabelecido no Brasil. É muito difícil mostrar para o consumidor que nosso produto também pode ser gostoso, já que as pessoas estão acostumadas com o paladar do fast-food”.

Ao adotar um abastecimento centralizado, a executiva ressalta que a maior dificuldade é encontrar fornecedores locais, já que o nordeste é a maior mercado consumidor da rede. “A disponibilidade de fornecedor ainda é precária no País. Isso porque o segmento tem despontado e as empresas não estão conseguindo acompanhar o crescimento da demanda. Em Fortaleza, João Pessoa e Salvador, por exemplo, vemos muitas pessoas correndo nas ruas, frequentando academias, sendo uma região forte, já que o clima e temperatura favorecem os negócios”.

Marcas nacionais

Outra que aposta nesse mercado é a rede Seletti, que planeja chegar a 190 unidades até 2019. Com forte atuação em São Paulo, a companhia faturou R$ 38 milhões no ano passado e espera fechar o ano com R$ 45 milhões, como afirma o diretor e idealizador da marca, Luís Felipe Campos. “Acredito que o mercado da alimentação saudável extrapole a questão estética, uma vez que existe um interesse político no assunto, já que o número de enfartos em nosso País também é grande”, contou.

No mercado há sete anos, Campos ressalta não ter visto grandes alterações no cenário nacional, uma vez que esse é um seguimento com grandes possibilidades de investimentos. “Temos alguns concorrentes, mas o diferencial da nossa rede é o sabor e preço dos alimentos. Comer bem e de forma saudável não tem que ser caro”, argumentou o executivo.

Ao destacar atuar sem grandes problemas com a sazonalidade dos produtos, o representante da marca ainda afirma que os itens utilizados nos restaurantes da rede foram pensados de acordo com a disponibilidade ao longo do ano todo. “Nossa principal barreira ainda é a tributação brasileira, já que nosso cardápio contempla a rede nacional inteira e conta com fornecedores homologados em todas as regiões do País”, lembrou.

Com mais de 80 opções no menu, e com preço médio de R$ 22 por refeição, a rede planeja ainda expandir a marca no interior paulista, região considerada hoje como o maior mercado consumidor da Seletti. “Queremos expandir a atuação em São Paulo, mas também estamos de olho em outros mercados com grande potencial como o Rio de Janeiro e Brasília. Até o final do ano também chegaremos ao Nordeste, com lojas em Teresina e Fortaleza. Além disso, devemos chegar ao Norte do País em 2015”.